sábado, 5 de fevereiro de 2011

Eu vi com meu próprios olhos aquilo que os olhos do mundo insistem em não ver.
Num rosto escurecido e manchado pela crueldade.
Tinha mãos pequeninas com unhas comidas, talvez pela fome ou pelo medo, não sei dizer.
Eu vi olhos tristes, onde havia uma alma abandonada, uma alma que gritava silenciosamente por socorro, apenas uma luz no fim do túnel por onde pudesse correr com com os pequenos pés já calejados e descalços.
Mais um problema entre mil, não há túnel no mundo chamado Moderno, deste mundo não há se quer uma luz que se acenda para um alguém, não há olhos para verem isto e colocarem um fim, ninguém tem boca que não seja mensageira de seus próprios interesses.
Os olhos de quem pensa viver estão virados para o próprio umbigo, uma deficite do século.
Os meus não vêm sequer um médico especializado nesta dessocialização e ninguém quer saber o porque.
Quando tento gritar, erguer uma mão, os homens doentes de crueldade me matam a alma, destroçam o que restou, e jogam para os corvos como se eu não passasse de um estorvo.
Só tem um lado bom nisso, se deram o trabalho de exterminar mais uma, de fechar os olhos para mais uma alma morta, porque os incomodou, e só assim eu sei que em algum lugar chegaremos.
Ninguém tem um antídoto para o mundo, mas eu posso tentar e falhar, e tentar de novo, um dia eu vou conseguir te-lo. 
Quem não faz conta de um vintém não vale nem ao menos a metade dele.
Eu abro os olhos mais uma vez, a janela da alma, e tento infinitas vezes realizar sonhos.
Eu vou construir um túnel e o mundo renascerá.